quinta-feira, 5 de março de 2009

Lobo cuidando de cordeiros

Eleger o ex-presidente e senador, Fernando Collor de Melo para o comando da Comissão de Infraestrutura do Senado, que irá acompanhar e fiscalizar obras do PAC (programa de Aceleração do Crescimento) seria, no mínimo piada de mau gosto.
Mas não é . É um fato anunciado nesta quarta-feira, 4 de março. Nosso conhecido "renunciante pós impeachament está adorando o cargo de visibilidade e faz a cara de modesto. Mas no novo cargo, que foi também desejado pela senadora petista Ideli Salvatti (SC), será o responsável pelas obras do governo petista, vejam só...
Como o mundo dá voltas, ou melhor, nós - pobres eleitores - que damos voltas de indignação com a postura de alguns políticos: Collor teve como aliados dois antigos adversários.
O anunciado "caçador de marajás" contou com o apoio de Renan Calheiros (líder do PMDB no Senado) e do ex-presidente José Sarney, que já foi alvo de ataques colloristas nos idos das eleições da presidência em 1989.
Mas então, oque dizer? Que elle está de volta, isso sabemos e não é de hoje. Sim, ele retorna. Sonda seu futuro "promissor" e cava cauteloso, seus espaços no cenário político que ele conhece muito bem.
E quando menos se esperar ele ataca. Invade as mentes brasileiras, já tão rasa de lembranças, e firma um novo papel: oO de futuro governador de Alagoas ou ainda - e por que não - de presidente da República.
Delle, eu não dúvido nada. Batamos na madeira 3 vezes.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Propagandas xenófobas na Suiça

Aqui, o partido SVP critica o fato de o governo suíço
conceder asilos políticos
Os estrangeiros são representados como "corvos" que devoram a Bandeira suiça
Na imagem, a ovelha negra (simbolizando o estrangeiro) é chutada por uma
branca (população suiça)

Cicatrizes profundas

O caso da advogada brasileira, Paula Oliveira, supostamente grávida e agredida por três skinheads na Suiça, chocou a população e despertou a atenção mundial para os casos de xenofobia em toda a Europa.
As imagens com a advogada repleta de marcas pelo corpo, instigam a repugnância ao agressor e absorvem facilmente a conotação xenófoba. Há ainda muito a ser esclarecido, pois as últimas informações da imprensa revelaram que o ultrassom que Paula Oliveira teria enviado por e-mail à uma amiga de trabalho, é uma imagem facilmente localizada na internet. Ou seja, entre outras apurações, ela não estaria grávida, fato que reforça a dúvida do depoimento dado por ela. Informações desencontradas ainda levarão este caso para as páginas dos jornais por mais algumas semanas. Se for comprovado que a advogada se autoflagelou, será “apenas” uma confirmação que ela sofre de problemas psicológicos gravíssimos. Caso contrário, a agressão atribuída aos skinheads expõe a questão de xenofobia que fica mais evidente com a crise mundial e a tendência de “cada um proteger o que é seu”. A Europa é historicamente uma região com história de aversão à estrangeiros. De acordo com o pesquisador e cientística político belga Marc Jacquemain, em entrevista nesta segunda-feira, 16, para o Jornal Folha de S. Paulo, apesar de não haver dados estatísticos que a xenofia está aumentando, os fenômenos políticos atuais contribuem para acirrá-la. Marc Jacquemain afirma que em relação à tolerância, os “europeus têm dificuldades até entre si” e a a xenofobia tem maior destaque nas regiões mais ricas da Europa: Holanda, Áustria, Suíça, Noruega e norte da Ítalia, por exemplo. O cientista atribui a xenofobia européia na classe média como consequência da globalização, pois hoje a classe média (que viveu em situação privilegiada) se sente ameaçada. Já os partidos políticos da europa apontam para o imigrante como bode expiatório e um dos responsáveis (quando não o principal) da crise econômica do país. Para contribuir ao cenário desolador da xenofobia temos o propagação das ideias antiterroristas e de guerra entre civilizações defendidas por George W. Busch, que via o perigo islamista em toda a parte. Jacquemain destaca que também é preciso considerar o “sentimento de rejeição do outro” ou “do diferente” que as pessoas carregam consigo. No mundo atual, de competição extrema, as diferenças tendem a ser vistas como ameaça constante. Ou seja, o cenário é totalmente favorável à xenofobia que pode levar à situações extremas como oque, supostamente aconteceu com a advogada brasileira. E no pé em que as coisas estão, não é improvável que ocorra um ato tão violento contra o ser humano. Infelizmente. Raquel Duarte

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Criadores e criaturas

Lá estava eu, no centro de São Paulo, cobrindo um Ato público das entidades representativas dos servidores do judiciários, em pleno meio dia, quando surge um personagem, que por si só, valeria uma reportagem. Quem era? De onde viria? Por que estava ali? O homem negro, de barba e cabelos brancos, compenetrado, ouvia aos discursos atentamente. Não sorria, não gesticulava, não transpirava. Às vezes, me deu a impressão, de nem estar ali. Mas estava. Por vezes desviava a atenção de todos. Apenas por estar, existir e coexistir. O que será que ele pensava de nós, muitas vezes mais estranhos do que ele mesmo se revelava? Ninguém sabe. Ninguém viu. O homem, no mesmo silêncio e mistério que o trouxe até ali, foi embora e desapareceu entre os prédios cinzas do centro de São Paulo, sob meu olhar curioso e admirador das figuras humanas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Senhor das letras

Ainda há muitas dúvidas sobre a reforma ortográfica que confunde até especialistas, quiçá nós, meros jornalistas mortais. Abaixo, escolhi uma matéria interessante sobre o gramático Evanildo Bechara, (publicada na Folha de SP), onde afirma que o acordo ortográfico não é nenhum bicho

de sete cabeças. (Ops, não seriam 77 ? rs ) Brincadeiras à parte, vamos à entrevista.

O acadêmico pernambucano Evanildo Bechara gesticula para explicar novas regras do português, durante entrevista realizada na Academia Brasileira de Letras, no centro do Rio de Janeiro

SYLVIA COLOMBOENVIADA ESPECIAL AO RIO

Evanildo Bechara tinha 11 anos quando cometeu seu primeiro erro de tradução. Viajando de Pernambuco para o Rio de Janeiro, de navio, o garoto que se tornaria um dos gramáticos mais famosos do Brasil fez uma parada em Salvador.Entrou num restaurante e pediu um vatapá. O garçom perguntou como ele queria o prato. Bechara respondeu: "bem quentinho", como era costume fazer-se em sua terra para determinar a temperatura da comida. Acabou tendo de engolir um bocado com muita pimenta. Foi então que as lágrimas brotaram de seus olhos."Aprendi na pele que "bem quentinho", na Bahia, era "bem apimentado". Por conta desse episódio e de outros que vivi quando minha família me mandou para o Rio para estudar, passei a me interessar pelas diferenças que a língua portuguesa tem em diferentes lugares. Aí virei professor, viajei, dei aulas no exterior, lancei meus livros e cheguei aqui", resume.

Bechara, 80, hoje ocupa a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 2000, e tem uma dura tarefa pela frente. A partir de 1º de janeiro, quando as regras do Novo Acordo Ortográfico entrarem em vigor em oito nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, será ele a autoridade máxima no Brasil para decidir as possíveis querelas e pendências com relação ao modo como os brasileiros terão de passar a escrever."Não me sinto confortável nessa posição. É muito incômodo. E é claro que a interpretação que fiz está sujeita a erros. Só não erra quem não faz", disse em entrevista à Folha, na sede da instituição, no Rio.

As regras têm como objetivo unificar as diferentes grafias que o português tem nos países em que é língua oficial.Elas começarão a ser aplicadas em janeiro de 2009, mas as atuais continuarão sendo aceitas até dezembro de 2012.No caso brasileiro, as principais mudanças serão a eliminação de alguns acentos e do trema e a adoção de outras regras para a hifenização (leia ao lado). "Tem gente fazendo tempestade em copo d'água. Já passamos por cinco reformas e nunca houve um grande trauma. E mais, o Brasil sempre foi quem mais cedeu até hoje.

Nesta reforma, está acontecendo o contrário, os outros países, Portugal principalmente, é que estão cedendo mais", diz.De todas as mudanças, as que regulam o uso do hífen têm causado mais polêmica. Bechara explica que a idéia, de um modo geral, foi a de "suavizar" sua utilização. "Como um homem comum, que não é um gramático nem tem formação técnica sobre a língua, pode saber, por exemplo, que uma expressão é um substantivo que em outros casos pode ter outra função? Ao tirarmos os hífens, estamos facilitando a sua vida.

"Contexto O gramático explica que o espírito das novas regras é deixar que o contexto explique aquilo que a ortografia não alcança.É o caso, por exemplo, da contestada retirada de acento de "pára", do verbo "parar".Como diferenciá-lo da preposição "para"? "Bem, quando se diz "manifestação para avenida", fica bastante claro que se trata do verbo, porque os outros elementos na frase levam a essa dedução", diz.

O caso dos ditongos que perdem o acento, como "idéia", também causaram estranhamento. "Não é possível termos duas grafias diferentes para o mesmo tipo de formação. Por que "aldeia" não tem e "idéia", sim?" Bechara acha que a retirada do acento não vai confundir, por exemplo, crianças em processo de alfabetização. "O primeiro aprendizado de uma pessoa é sempre imitativo. Depois vem a reflexão. Quando ela for aprender a escrever, já saberá a diferença de pronúncia das duas palavras sem que seja necessário usar um sinal gráfico.

"Para Bechara, a reforma ortográfica é necessária para defender a língua portuguesa. Trata-se do único idioma falado por um grupo majoritário -mais de 230 milhões de pessoas- no mundo a ter duas grafias diferentes. "É essencial que o português se apresente internacionalmente com uma única vestimenta gráfica. Para manter o prestígio e para que seja melhor ensinado e compreendido por todos", conclui.

LIVROS ESCLARECEM MUDANÇAS - A interpretação de Evanildo Bechara para o acordo está em "O que Muda com o Novo Acordo Ortográfico" (ed. Nova Fronteira). A Academia Brasileira de Letras também está lançando "Dicionário Escolar da Língua", junto à Companhia Editora Nacional.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Barack Obama

Obama intactus segredum.
Nesta semana foi impensável outro foco na mídia além das eleições americanas. Seja ela nacional, internacional e até no jornaleco da esquina: lá estava Barack Obama. Com um nome singular, que se assemelha a uma potencial oração em latim ou um dialeto esquisofrênico, o nobre senador promete trazer a mudança consigo.
Beleza, a mídia caiu de amores por ele. Negro, simpático, um "semi" desconhecido do mundo. Promete mudança. Prato cheio. E ainda com o perfil "moreno, cheiroso, gostoso, da cor do pecado" , impossível resistir a tantos apelos.
Eu cá, na minha santa ingenuidade política internacional, fico assistindo de camarote. Entre uma pipoca e outra, não consigo definir o quanto de "documentário ou de ficção" é a programação da tv. Os elogios à Obama são incríveis. Se ele tivesse olhos azuis diria que era o proprio super homem. Mas me preocupa a idealização de pessoas, especialmente de políticos.
Vamos lá, um pouco de crédito ao homem. Ele tem um histórico bonito, de fazer qualquer um se emocionar, Obama encarnou e propagou "a esperança" na sua campanha político. Astucioso, sabe trabalhar com as emoções. Mas não sei se me preocupo mais com ele ou com as pessoas que acreditam nele. O negócio é dormir com um olho fechado e o outro aberto. Afinal, misterius poderis de Barack Obama. E o Barack pode sair caro.
Raquel Duarte

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Paixão de jornalista

Foto ilustrativa

Quando comecei a escrever, fui movida pela paixão. E continuo. Mas no início da faculdade, aprendi a dosar um pouco isso, a me moldar, a ter uma espécie de equilíbrio entre a realização e o tesão de escrever. Era 1995, e embora já existisse até internet, era uma ferramenta nova e começando a ser adotada nas faculdades. O computador também. Portanto assisti a fase de transição do uso das máquinas de escrever para os computadores.

As máquinas de escrever eram antigas, de ferro, esverdeadas ou cinzas. Tinham teclas pretas com letras brancas. Os teclados eram altos e esquisitos e muitas vezes duros. Mas o bacana era o som que as máquinas de escrever proporcionavam. Quando escrevíamos, todos juntos, parecíamos “um exército das palavras”.

Era fascinante, mas nada supera a tecnologia e a facilidade que a internet nos oferece hoje. Não saberia viver sem ela. Mas o que também me fascina é a paixão pelo jornalismo, que ainda reside em corações e mentes de alguns nobres profissionais.

Recentemente recebi um e-mail que relata exatamente esta paixão. Agradeço ao “Seu Pedro”, por me conceder a honra de divulgá-lo.

Raquel Duarte

As antigas máquinas de escrever notícias!

* Seu Pedro (*)*

Quando iniciei no jornalismo nem diploma para ele havia, foi em 1965, eu tinha 18 anos. Foi no Jornal do Commércio, de Manaus, e a redação usava as máquinas "Léxion 80" da Remigton Rand, fabricadas no Rio de Janeiro, na Avenida Brasil no bairro de Guadalupe. Como hoje temos que dominar conhecimento sobre as ferramentas do computador, o redator chefe daquela época nos exigia conhecer cada tecla e sua função, e os parafusos de uma máquina de datilografar. Estávamos sempre prontos para solucionar eventuais problemas que pudessem aparecer, como se fossemos /*mecanógrafos*/.

Nunca aconteciam problemas, mas sabíamos tudo, até em qual lixeira iam parar as tampas boleadas das máquinas, uma vez que preferíamos teclar sem elas para que mais rapidamente pudéssemos enrolar de volta os carretéis das fitas, com o “carinho” que dispensamos ao equipamentos, embora conseguíssemos reduzir seu tempos úteis. Para mostrar que eu dominava por completo, como era vontade do chefe, então até decorei o endereço da fábrica da Remigton.Escrevíamos o texto por encomenda de tamanho; tantas linhas x tantos toques (normalmente 72).

As fitas "acabavam no fim", rasgadas de tanto receberem as pancadas das teclas. Não fazíamos revisão no texto, isto era tarefa do revisor. Se houvesse erro na edição a culpa estava somente com ele! Não importava se fossemos datilógrafos de fazer sair “fumaça” do teclado ou se “catador de milho”, mas que déssemos conta de nossa pauta.

A redação sim tinha que ser boa, com respostas precisas aos seis itens indispensáveis a uma boa notícia; *“/o que, quem, onde, quando, como, por quê?” /*Assim quem soubesse teclar a máquina, tivesse a verve jornalística, soubesse ordenar um texto, investigar com lisura os fatos, assumisse suas responsabilidades, e tivesse ética acima de tudo, era jornalista diplomado na vida diária de uma redação; sem dificuldades! Não importávamos com diplomas, apenas com o registro profissional que nos habilitava ao exercício da profissão.

Não tínhamos o Manual de Redação e Estilo, mas procurávamos sempre acompanhar o estilo adotado pelo patrão, neste caso o da empresa “Diários Associados”.Usávamos a entrelinha espaço 03, para que o revisor pudesse escrever o correto acima de nossos erros que procurávamos evitar, mas se acontecesse não ficávamos envergonhados.

Os jornais tinham melhor qualidade em seus textos, eram até mais gostosos de serem lidos. Já não existe o tom literário, não há mais as entrelinhas que criavam o estilo pessoal de cada redator. Não era como a maioria dos jornais de hoje. Usam o método “copiar colar”. Ficam todos iguais, quem lê um leu todos!Tenho saudades, pois na redação só os que passavam do primeiro mês, e por si se “diplomassem” naquele curto espaço de tempo, é que ficavam.

Os aptos, mesmo sem diplomas eram respeitados e participavam das altas rodas. Eram “cordialmente detestados”! Uma época em mandava o governo militar de exceção.Eu, obediente às ordens emanadas do Quartel General, e naqueles anos Dom Élder Câmara, alcunhado pelo governo de “Arcebispo Vermelho”, tinha o nome proibido de ser citado em notícias, então eu o chamava de “Arcebispo Verde e Amarelo”, o que fazia com que os censores ficassem vermelhos de raiva!

Seu Pedro é o jornalista Pedro Diedrichs, 61 anos, editor do jornal Vanguarda, de Guanambi – Bahia, que hoje relembrou o tempo em que o repórter “dormia” na redação, para ver a filha da pauta nascer.